O trabalho infantil no Brasil atingia 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em 2025, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que a maioria dos trabalhadores infantis era formada por meninos e por pessoas pretas ou pardas.
Os homens correspondiam a 65,4% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, embora representassem 51,2% da população total nessa faixa etária. As mulheres eram 34,6% dos trabalhadores infantis e 48,8% da população de 5 a 17 anos.
Na divisão por cor ou raça, pretos e pardos representavam 67% das crianças e adolescentes submetidos ao trabalho infantil. Na população total de 5 a 17 anos, esse grupo correspondia a 59,7%. Os brancos eram 32% dos trabalhadores infantis e 39,5% da população nessa faixa etária.
Incidência cresce entre adolescentes
A proporção de pessoas em situação de trabalho infantil aumentava conforme a idade. Entre crianças de 5 a 13 anos, 280 mil estavam nessa condição, o equivalente a 1,1% do grupo. Na faixa de 14 e 15 anos, eram 348 mil, ou 5,9%. Entre adolescentes de 16 e 17 anos, o contingente chegava a 871 mil, correspondendo a 14,5% da população dessa idade.
O IBGE considera trabalho infantil qualquer atividade econômica remunerada ou trabalho para autoconsumo realizado por crianças de até 13 anos. Para adolescentes de 14 e 15 anos, somente o trabalho como aprendiz é permitido. Entre 16 e 17 anos, a ocupação deve ser formal, com carteira assinada, e não pode ocorrer em atividades insalubres, perigosas ou em horário noturno.
Frequência escolar
A pesquisa identificou diferenças na frequência à escola entre os trabalhadores infantis e o conjunto da população. Entre crianças de 5 a 13 anos nessa situação, 99,7% frequentavam a escola. Na população total da mesma idade, o índice não foi informado no levantamento apresentado.
Entre adolescentes de 14 e 15 anos em situação de trabalho infantil, a frequência escolar era de 95%, ante 98,1% no total da faixa etária. No grupo de 16 e 17 anos, 79,6% dos trabalhadores infantis frequentavam a escola, enquanto a média entre todos os adolescentes dessa idade era de 89,6%.
Jornadas e atividades
As jornadas também eram mais extensas entre os adolescentes mais velhos. Considerando toda a população de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil, 36,3% trabalhavam 25 horas ou mais por semana e 21,4% chegavam a 40 horas ou mais.
Entre os jovens de 16 e 17 anos, 49,6% cumpriam jornadas de pelo menos 25 horas semanais. Em 29,6% dos casos, o trabalho alcançava 40 horas ou mais. Apenas 20,4% trabalhavam até 14 horas por semana.
A maior parte do contingente realizava atividades econômicas: eram 1,141 milhão de crianças e adolescentes. Outros 358 mil trabalhavam exclusivamente para o autoconsumo, em tarefas voltadas à subsistência da família. Comércio e outras atividades concentravam as maiores parcelas, com 29% e 23,1%, respectivamente. Agricultura e pecuária respondiam por 16,7%; indústria geral, por 12,5%; alojamento e alimentação, por 12,2%; e serviços domésticos, por 6,5%.
Entre os adolescentes de 16 e 17 anos, 67% estavam na informalidade. Desse grupo, 72,9% eram empregados do setor privado sem carteira assinada ou trabalhadores domésticos; 16,3% eram empregadores ou trabalhadores por conta própria sem CNPJ; e 10,8% eram trabalhadores familiares auxiliares.
Redução no total
O número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil caiu 9,2% em relação a 2024, quando eram 1,65 milhão, ou 4,3% da população de 5 a 17 anos. Em 2016, o contingente era de 2,1 milhões, equivalente a 5,2% dessa faixa etária. A redução acumulada desde então foi de 28,6%.
As piores formas de trabalho infantil atingiam 525 mil pessoas em 2025, ou 1,4% da população de 5 a 17 anos. A classificação reúne atividades que oferecem riscos à saúde, ao desenvolvimento e à moral de crianças e adolescentes, incluindo situações como escravidão, exploração sexual e tráfico de drogas.
A Pnad também separou o trabalho doméstico não remunerado e o cuidado de pessoas, que não são contabilizados pelo IBGE como trabalho infantil. Essas atividades eram realizadas por 15,9 milhões de crianças e adolescentes, ou 42,1% da população de 5 a 17 anos. A proporção era maior entre meninas, com 47,9%, do que entre meninos, com 36,6%.
Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.
Foto: O adecubo/ AdobeStock









