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Participação de familiares marca renovação do memorial de vítimas na Maré

Instalação passou a reunir 145 azulejos após receber 18 novas homenagens; seminário até sábado (7) discute memória, luto, justiça, reparação e segurança pública.
Participação de familiares marca renovação do memorial de vítimas na Maré
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos

A participação de familiares de pessoas mortas em confrontos armados e operações policiais é um dos elementos da renovação do Memorial das Vítimas da Violência Armada na Maré, no Rio de Janeiro. A instalação, conhecida também como Praça da Paz, foi reinaugurada nesta quinta-feira (5) com novos azulejos, intervenções nos jardins, bancos e um velário.

O memorial foi concebido pela artista Laura Taves e inaugurado em 2022. Na época, reunia 127 cerâmicas azuis e brancas com os nomes de vítimas da violência. A revitalização acrescentou 18 azulejos em homenagem a outras pessoas mortas, elevando o total para 145 peças.

Memória construída pelas famílias

Segundo Tainá Alvarenga, pesquisadora da organização não governamental Redes da Maré, familiares das vítimas também participam da pintura dos azulejos. Para ela, a instalação combina uma intervenção urbana com a mobilização comunitária em torno da memória e do direito ao luto.

“Quem também pinta os azulejos são familiares de vítimas”, afirmou a pesquisadora. Tainá disse que a construção do memorial parte da mobilização das famílias para preservar lembranças e reivindicar o direito ao luto.

O espaço está localizado em uma área limítrofe entre Nova Holanda e Baixa do Sapateiro, comunidades descritas na divulgação como estando sob influência de facções criminosas rivais. A pesquisadora afirmou que o local é marcado pela luta e pela resistência dos moradores, mas também pela violência.

Dados sobre mortes

Levantamento da Redes da Maré aponta que 160 pessoas morreram em operações policiais no Complexo da Maré entre 2016 e 2025. O memorial reúne parte dessas vítimas, segundo a divulgação, em uma instalação dedicada ao registro de nomes e à homenagem.

Além da atualização dos azulejos, a revitalização incluiu melhorias nos jardins, a colocação de bancos e a construção de um velário. O conjunto de mudanças foi apresentado no momento em que o espaço voltou a receber atividades públicas.

Seminário aborda segurança pública

Entre esta quinta-feira (5) e o próximo sábado (7), o Complexo da Maré também sedia um seminário sobre a construção de caminhos de memória, justiça e reparação para vítimas da violência armada e seus familiares.

De acordo com Tainá, a programação pretende destacar o direito ao luto de famílias de pessoas atingidas por confrontos entre grupos criminosos rivais e por operações policiais. O encontro também deve permitir que os familiares apresentem reivindicações relacionadas à segurança pública.

“A gente marca isso no território e dá a possibilidade de as famílias trazerem a memória e também a reivindicação por melhorias dentro do âmbito da segurança pública”, afirmou a pesquisadora.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos