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Em casa, Daniel Vidal aprendeu a discutir preconceito, inclusão e política

Aos 13 anos, estudante de Brasília tem menos de 5% da visão nos dois olhos, usa teclado eletrônico em braille e defende a participação de jovens nas decisões do país.
Em casa, Daniel Vidal aprendeu a discutir preconceito, inclusão e política
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

As conversas em família ajudaram Daniel Vidal Moura, de 13 anos, a desenvolver interesse por história, geopolítica, economia, desigualdade e direitos das pessoas com deficiência. Morador da Asa Sul, em Brasília, o estudante usa um teclado eletrônico em braille para acompanhar as atividades escolares e também participa de discussões sobre política e participação social.

Daniel tem menos de 5% da visão nos dois olhos por causa da Amaurose Congênita de Leber, doença genética descoberta quando ele tinha dois meses de vida. A experiência com a deficiência visual está entre os motivos que o levam a defender mais acessibilidade e o combate ao capacitismo.

Estímulo desde os primeiros meses

A mãe, Raquel Vidal, servidora pública de 45 anos, afirma que lia para o filho desde que ele nasceu e procurava apresentar diferentes assuntos. Segundo ela, Daniel demonstrou interesse inicial por história e geopolítica e, posteriormente, passou a acompanhar temas econômicos e notícias sobre desigualdade.

“Nós líamos para ele desde que nasceu. Ele nunca parou de se interessar sobre o mundo. O Daniel sempre se interessou muito por história e por geopolítica”, afirmou Raquel.

Entre os assuntos que chamaram a atenção do estudante está a saída do Brasil do Mapa da Fome. Ele também menciona a taxa de desemprego como tema de interesse. As discussões em casa incluem ainda preconceito, racismo e homofobia.

O pai de Daniel, o bancário Fernando Moura, de 46 anos, é negro e conversa com os filhos sobre manifestações cotidianas de racismo. A família também aborda a necessidade de não excluir pessoas com deficiência. Daniel, que é branco, diz estudar nas aulas de história temas relacionados à escravidão brasileira e às consequências desse período.

Acessibilidade no cotidiano

Para estudar no computador, Daniel utiliza um teclado eletrônico em braille. Na avaliação dele, o governo deveria ajudar outras pessoas com deficiência visual a terem acesso a equipamentos semelhantes.

O estudante também relata dificuldades encontradas em espaços públicos. Ele cita pisos irregulares, prédios sem rampas ou elevadores e limitações no transporte público como obstáculos para pessoas com deficiência.

“Em todo lugar que eu vou, a acessibilidade é precária”, disse Daniel. Segundo ele, o país precisa melhorar as condições de circulação e garantir que as pessoas com deficiência possam exercer seus direitos.

Encontro com Lula

Essas ideias estavam entre os assuntos que Daniel gostaria de discutir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O estudante encontrou Lula no dia 27, do lado de fora da grade do Palácio da Alvorada, durante uma homenagem organizada por eleitores pelo aniversário de 81 anos do presidente.

Acompanhado do pai, Daniel decidiu faltar à aula de futebol depois de saber da homenagem. Ele usava uma camisa da seleção brasileira com o número 13, a mesma vestida quando abraçou Lula. O contato durou cerca de 50 segundos.

Durante o encontro, Daniel agradeceu pelas políticas públicas e afirmou que também deseja ser presidente. “Queria dizer a ele que quero ser presidente também”, declarou.

O estudante afirmou que teria outras sugestões caso tivesse mais tempo de conversa. Entre elas, citou a criação de um ministério exclusivo para pessoas com deficiência. Desde janeiro de 2023, o país conta com a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Participação dos jovens

Daniel também defende que adolescentes participem das discussões políticas antes mesmo de terem idade para votar. Ele conversa com colegas sobre desigualdade e incentiva a participação social.

“A gente só pode votar depois dos 16 anos, mas nós, jovens, temos que participar mais. O Brasil precisa dos jovens. O país vai crescer se os jovens estiverem interessados nisso”, afirmou.

O estudante disse ter se emocionado ao saber da participação de adolescentes em manifestações durante a campanha eleitoral deste ano. Para ele, é necessário conscientizar os jovens sobre a importância da política e da participação coletiva.

Se tivesse mais tempo com Lula, Daniel também cobraria o cumprimento de promessas relacionadas ao reforço de políticas públicas e à correção de problemas do país. A mãe afirma que espera que o filho tenha felicidade e acesso a oportunidades.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil