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Nacional

Funarte e Teatro Oficina celebram a memória das artes brasileiras nos 50 anos da instituição

13 de março de 2026
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Março, o mês do teatro, das mulheres, do circo e da celebração dos 50 anos da Fundação Nacional de Artes (Funarte), entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), que escreve em sua história lutas e conquistas de políticas públicas que atravessaram o tempo para garantir o direito às artes para o povo brasileiro. Neste contexto, a Funarte celebrou, durante a tarde e a noite do dia 12 de março, a importância histórica do Teatro Oficina com uma programação especial, integrando a 11ª edição da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo.
Para além do fomento e difusão das produções artísticas, a Funarte tem como missão garantir a preservação da memória de quem tem perpetuado os saberes artísticos. É conhecendo o passado que se constrói o futuro. O dia, portanto, começou com o lançamento de uma publicação que reúne importante parte dessa memória: o livro “Teatro Oficina: fotografias Lenise Pinheiro – Vol. 2”, editado pela Funarte. A artista, que recentemente recebeu o título de mestra das artes pela Funarte, é detentora de um dos maiores acervos de fotografia teatral do país. As portas do Teatro Oficina se abriram às 15h para receber o público e a comunidade artística para uma roda de conversa com a presidenta da Fundação, Maria Marighella, a autora Lenise Pinheiro, o jornalista Claudio Leal e os artistas Camila Mota e Marcelo Drummond, com a mediação de dois diretores da Funarte, Aline Vila Real e Glauber Coradesqui.
A importância da dimensão da memória para a Funarte é reafirmada por meio da criação da Diretoria de Memória, Pesquisa e Produção de Conteúdos (DIMEMO), da reabertura de seu Centro de Documentação e Pesquisa (CEDOC Funarte) e do Centro Técnico de Artes (antigo CTAc), da criação do Centro de Pesquisa e Memória do Teatro de Arena e da Cena Ativista no Brasil, bem como de todas as ações do Programa Funarte Memória das Artes, como o Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes, a Bolsa Funarte Solange Zúñiga, as Edições Funarte e o Seminário e Mapeamento de Acervos das Artes do Brasil.
“Dono da casa me dê licença, me dê licença para vadiar”. Pedindo licença com um canto de samba de roda do Recôncavo Baiano, a presidenta da Funarte abriu a roda de conversa,  reverenciando o solo sagrado do Teatro Oficina: “Essa casa é do povo, é das artes, é do teatro, ilumina. É um terreiro que tem seus guardiões e guardiãs. As gentes que tomaram para si o espírito de preservação desse terreiro de criação, mas também das tradições, das histórias, das memórias projetadas aqui. Para nós da Funarte, celebrar 50 anos, mais do que um ato de aniversário, é saber que comemorar é partilhar, é dividir, é compartir e sentar juntos e juntas para que a comunidade seja guardiã daquilo que é coletivo”.
Durante toda a conversa, a presença do diretor, ator, encenador e dramaturgo, fundador do Teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa (1937-2023), pôde ser sentida através dos depoimentos de todos que compuseram a roda, inclusive da autora do livro: “ Com Zé, eu fui entendendo que existia uma diferença entre plateia e público, coisas que pareciam ser iguais, mas aqui a energia se formava de uma forma diferente, e captei isso nos livros”.
Em sua fala, o jornalista e crítico Claudio Leal, organizador do livro “O Devorador: Zé Celso, arte e vida” (Edições Sesc, 2025/2026), afirmou que acredita que o lançamento do livro de Lenise é um marco dentro do contexto político vivido pelo Brasil nos últimos anos: “O lançamento desse livro pelas edições Funarte marca muito um momento de reversão do que aconteceu com o Brasil, com a cultura, com o teatro brasileiro, a partir de 2014. Maria chegou à Funarte e Margareth Menezes ao MinC e viram a terra arrasada em que tiveram de reconstruir todo um sistema cultural e democrático para reativar a arte. Então, eu acho que o lançamento deste livro reflete essa reversão”.
Como anfitriões da casa, Camila Mota e Marcelo Drummond falaram sobre a persistência da continuidade do Teatro Oficina e da preservação constante da memória e legado que Zé Celso deixou para o teatro brasileiro, que é de nunca parar, de continuar fazendo e mantendo vivas todas as expressões nascidas neste “terreiro eletrônico”, como costumam definir este espaço das artes cênicas.
Depois da roda de conversa, a autora do livro iniciou a sessão de autógrafos no foyer do Teatro Oficina, enquanto o palco onde estavam as cadeiras começou rápida e magicamente a se transformar no cenário do que foi a culminância da celebração neste dia. Às 20h, teve início a sessão exclusivamente gratuita do espetáculo “Senhora dos Afogados”, de Nelson Rodrigues, com direção de Monique Gardenber. Antes da tragédia escrita em 1947 tomar conta das atenções e emoções de cada um dos presentes que lotaram a plateia, uma abertura institucional emocionou o público. Em sua fala, Maria Marighella saudou os donos da casa, os realizadores da MITsp, curadores, representantes e gestores de instituições de cultura e toda comunidade artística ali presentes.
Com um discurso-poesia, a presidenta falou ainda de uma importante conquista da sua gestão, a implementação da Política Nacional das Artes (PNA): “Nessa ética, nessa poética, nessa estética, nesse jeito de nos contarmos por nós mesmos, a Funarte completa 50 anos, nascida de três grandes vocações. A primeira é o fomento às artes e à cultura do Brasil. A segunda tem uma versão mais programática: difusão e democratização do acesso às artes. E tem uma terceira corrente que é da gestão de espaços, equipamentos. Em 2026, nasce uma quarta e definitiva vocação, a construção de uma Política Nacional das Artes capaz de organizar, não para dirigir, mas para dizer que Estados, Municípios e União têm responsabilidade com as artes brasileiras. É para ser uma tradução inconteste de que a arte brasileira é uma riqueza do país, e como toda riqueza precisa ser protegida, promovida, mas sobretudo distribuída”.

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