O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, visitou nesta segunda-feira (25/5), Dia Nacional da Indústria, a fábrica da Whirlpool em Rio Claro (SP), onde conheceu de perto as obras de expansão da unidade. Dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, a empresa investirá R$ 300 milhões no projeto, que prevê a geração de 2.800 empregos diretos e indiretos.
A expansão permitirá nacionalizar a produção de lavadoras de abertura frontal e de máquinas lava e seca no Brasil. O projeto também vai abrigar o novo polo de inovação em lavanderia da Whirlpool para a América Latina e transformar a unidade de Rio Claro em hub de exportação de produtos premium de lavanderia para o mercado latino-americano.
Durante o evento, Alckmin afirmou que a expansão da Whirlpool está alinhada à Nova Indústria Brasil (NIB), política do Governo do Brasil para impulsionar a indústria nacional até 2033. O projeto dialoga com a Missão 4 – eixo da transformação digital da indústria. “Aqui temos um bom exemplo da Nova Indústria Brasil, que é uma indústria inovadora, sustentável, verde, competitiva e exportadora”, disse.
Alckmin também destacou o potencial exportador da nova estrutura produtiva em Rio Claro. “Tenho certeza de que esta fábrica será um grande hub de exportação, especialmente para a América Latina”, afirmou. Segundo o vice-presidente, o investimento combina inserção internacional, geração de emprego e incorporação de novas tecnologias ao país. “Sem investimento, não tem emprego e renda. O investimento é que garante emprego e renda”, completou.
Produção nacional com alta tecnologia
A decisão de ampliar a operação em Rio Claro ocorre depois de a Whirlpool anunciar, em novembro do ano passado, o encerramento da produção na Argentina. Parte da estrutura de Pilar será transferida para o Brasil, com a importação de equipamentos para a nova linha industrial. Alckmin afirmou que o Governo do Brasil zerou o imposto de importação desses bens por meio do regime de ex-tarifário, aplicado quando não há produção nacional equivalente. “Fizemos o imposto de importação zero para poder viabilizar essa nova planta industrial”, disse.
Com a nova estrutura, a Whirlpool prevê consolidar Rio Claro como sua unidade de manufatura mais avançada na América Latina. A planta combinará inteligência artificial, robótica e linhas automatizadas para atender às etapas mais complexas da produção de lavadoras, com equipamentos como prensas, injetoras automáticas, pontes rolantes e milhares de posições para matérias-primas.
A modernização da planta foi associada pelo vice-presidente a medidas de estímulo à renovação do parque industrial brasileiro, como o programa de Depreciação Acelerada. A iniciativa permite às empresas depreciar máquinas e equipamentos em dois anos, em vez de 15, favorecendo a substituição de maquinário e a incorporação de novas tecnologias. “Nós fizemos um programa para depreciar em dois anos, e isso estimula a renovar o parque industrial brasileiro”, afirmou.
Competitividade para exportar
A transformação de Rio Claro em hub de exportação para a América Latina também foi relacionada por Alckmin a medidas estruturais para reduzir custos e ampliar a competitividade da indústria brasileira. O vice-presidente destacou que a reforma tributária vai desonerar investimentos e exportações, dois pontos centrais para empresas que produzem no Brasil e disputam mercados internacionais.
Segundo Alckmin, estudos do Ipea indicam que, em 15 anos, a reforma poderá elevar o PIB em 12%, os investimentos em 14% e as exportações em 17%. “Ela desonera totalmente investimento e desonera totalmente exportação”, afirmou.
Outro instrumento citado foi o Portal Único de Comércio Exterior. Quando estiver operando integralmente, o sistema poderá gerar economia superior a R$ 40 bilhões por ano para as empresas, resultado da simplificação de procedimentos, da integração de sistemas e da redução de prazos nas operações de comércio exterior.
Líder global em eletrodomésticos, a Whirlpool está presente no Brasil há mais de 70 anos. A empresa possui unidades em São Paulo, Rio Claro, Joinville e Manaus, que empregam cerca de 11 mil colaboradores, e integra uma operação global com cerca de 50 mil funcionários e 55 centros de fabricação e pesquisa tecnológica. A companhia investe entre 3% e 4% de seu faturamento anual em pesquisa, desenvolvimento e inovação.